Festival Santa Casa Alfama’22

 Em 2022, o Festival prepara homenagem a Max.  Primeiros nomes confirmados para o Palco Santa Casa:


O maior festival de fado do mundo está de regresso em setembro para mais dois dias de celebração da nossa música.

Nos dias 23 e 24 de setembro, Alfama volta a encher-se de fado para um Festival que já conquistou o coração do público. Os diversos palcos do Santa Casa Alfama espalham-se pelo bairro, criando a sensação de que ali o fado pode acontecer em qualquer lugar e de que qualquer beco, viela ou praça é capaz de se transformar numa casa de fados. Mais do que um festival de música, este evento transforma-se assim numa experiência em que o público é convidado a tocar na alma portuguesa, deambulando por um bairro cheio de histórias das gentes fadistas. Com uma seleção musical cuidadosa e exigente, dando espaço a vozes consagradas e também àqueles que garantem o futuro da nossa música, o Santa Casa Alfama é hoje um dos eventos mais relevantes da vida cultural portuguesa. E as primeiras confirmações para a edição deste ano do festival garantem a qualidade à qual já nos habituámos: no dia 23 de setembro o Palco Santa Casa recebe o grande concerto de Homenagem a Max por António Zambujo e

Convidados e no dia 24 de setembro o mesmo palco recebe a voz poderosa de Dulce Pontes com o convidado Ricardo Ribeiro.

O Festival Santa Casa Alfama destaca-se pelo espaço que dá às novas vozes do fado, acabando mesmo por ser uma bússola para quem quer estar atento àquilo que o futuro trará de bom à nossa música. Como não poderia deixar de ser, este é também um Festival com memória, preocupado em lembrar e homenagear alguns dos nomes que construíram a história do fado. Depois de duas grandes homenagens, primeiro a Amália Rodrigues em 2020, no ano do seu centenário, e depois a Carlos do Carmo em 2021, ano do seu desaparecimento, em 2022 o Festival Santa Casa Alfama vai homenagear o inconfundível Max.

HOMENAGEM A MAX

por ANTÓNIO ZAMBUJO e Convidados


Max é uma das figuras centrais da música popular portuguesa feita no século XX. Maximiano de Sousa, madeirense, nascido no Funchal no dia 20 de Janeiro de 1918, deu-nos alguns dos fados e algumas das canções mais notáveis da nossa história, pérolas que ainda hoje o povo guarda na memória e na canção, bordados de acordes e palavras que ornamentam o reportório da música cantada em português. E termos como bordado e costura são imagens que funcionam particularmente bem para um homem cuja profissão também foi ser alfaiate. Durante algum tempo partilhou esse ofício com o outro dom que recebeu: o das cantigas. E as coisas acabariam por ficar mais sérias a esse nível quando, em 1944, se profissionalizava e acabaria por rumar à capital como vocalista do conjunto de Tony Amaral. Foi conquistando o seu espaço e, com o tempo, acabaria mesmo por se tornar numa referência da música portuguesa, atuando por diversas vezes na Emissora Nacional e noutras estações, gravando os fados e as canções do seu repertório e participando também em algumas revistas de enorme sucesso na altura. Ao longo de várias décadas, Max atuou um pouco por todo o país, mas também levou a nossa música e a sua pronúncia aos Estados Unidos, num programa de Grouxo Max, e também a países como Brasil, Argentina, Venezuela, Espanha, Alemanha, África do Sul ou Austrália. Sempre muito acarinhado pelo público português, o cantor ganharia uma enorme popularidade graças a temas mais humorísticos como “A Mula da Cooperativa" e o "Magala 31". Mas Max não se ficava por aqui, sendo um exemplo de ecletismo e versatilidade. Com o mesmo à vontade, também se atirava a boleros, a temas mais folclóricos, e ainda nos deu canções clássicas como “Pomba Branca, Pomba Branca” ou “Porto Santo”. Estes são alguns dos momentos altos de uma longa e notável carreira que irá merecer um grande concerto de homenagem no Santa Casa Alfama.

O nome escolhido para homenagear Max dispensa apresentações. António Zambujo, o homem que já nos deu discos como “Guia”, “Quinto”, “Rua da Emenda” ou “Do Avesso” e canções tão marcantes como “Flagrante”, “Pica do 7”, “Zorro” ou “Lambreta”, é ele próprio herdeiro de Max e continua essa boa tradição de cantores portugueses cuja voz traz uma pronúncia única e uma identidade tão forte que se torna inimitável. Zambujo ouve Max desde muito cedo, considerando-o uma referência, e agora abraça este desafio de fazer versões de alguns dos temas mais populares do cantor madeirense. Com direção musical do também madeirense André Santos e contando com uma série de convidados especiais, a anunciar oportunamente,

Este promete ser um dos momentos mais altos da edição de 2022 do Festival. A homenagem acontece no dia 23 de setembro no Palco Santa Casa.

DULCE PONTES convida RICARDO RIBEIRO


Não conseguimos enquadrar o génio de Dulce Pontes num género ou estilo específico, embora seja verdade que tenha sido uma das pioneiras numa certa renovação do fado, captando novas gerações, principalmente com o seu segundo álbum, “Lágrimas”, em 1993, ou com a sua versão do tema “Canção do Mar”. Artisticamente está também próxima de nomes como José Afonso, como se tem vindo a notar ao longo dos anos, introduzindo NA sua música composições próprias ou revisitações de canções de outros músicos, juntando música tradicional portuguesa, música do mundo, improvisação e classicismo. Na verdade, Dulce Pontes é um estilo em si mesma e, portanto, mais do que uma grande cantora, uma das melhores do mundo, é uma artista inimitável, com um espírito sempre livre e que ao vivo supera qualquer expectativa. Em 2017 editou o disco duplo "Peregrinação", mais um sucesso em vários países do mundo. Um trabalho artesanal, com uma matriz ibérica, cantado em português e espanhol. Em 2022 presenteia-nos com “Perfil”, numa edição da Universal Music Portugal e da prestigiada editora Decca Records. O novo álbum mostra a artista de regresso às suas raízes, ao seu país, ao fado, ao mar e às suas tradições. Além dos singles “Amapola” e “Na Língua das Canções”, este registo conta com um alinhamento repleto de surpresas, com originais, poemas carregados de histórias, a especial colaboração de Ricardo Ribeiro e ainda “Soledad”, interpretado no passado por Amália Rodrigues, mas nunca antes gravado em estúdio. Em “Perfil”, a artista mostra-se por inteiro. E este é um disco que podemos ficar a conhecer melhor também ao vivo, na próxima edição do Santa Casa Alfama. A cantora atua dia 24 de setembro no Palco Santa Casa, para o qual convida precisamente um dos seus cúmplices deste novo trabalho, Ricardo Ribeiro.

Santa Casa Alfama,mais de 40 concertos em vários palcos em Alfama.
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