Bruno Mars está de volta
Semana 19 janeiro 2026
O regresso de Bruno Mars a solo, dez anos depois do álbum 24K Magic, não acontece por acaso, nem tão pouco por impulso. I Just Might é uma declaração de intenções clara, pensada ao detalhe, e confirma que entrou numa fase da carreira com total controlo criativo.
Afasta-se da pop mais comercial e aposta numa sonoridade vintage e luxuosa, aprofundando o caminho estético que consolidou com Anderson .Paak no projecto Silk Sonic. Daí resultada uma canção fundada na soul e funk clássicos, com uma produção que valoriza o groove, a dinâmica e o detalhe.
Mais do que um simples single, I Just Might é um exercício de posicionamento artístico, onde a herança musical está presente de forma assumida, mas nunca como pastiche. Mars exibe as suas referências da era dourada da música negra americana, mas numa linguagem contemporânea, segura e elegante.
Há também um lado estratégico evidente. A pausa longa reforça a ideia de exclusividade e permite-lhe regressar não apenas como intérprete, mas como curador estético, atento à coerência entre som, imagem e narrativa. Tudo comunica maturidade, confiança e visão a longo prazo.
Em I Just Might, que anuncia o album The Romantic para 27 de fevereiro, Bruno Mars, não tem urgência nem necessidade de validação externa. A música afirma-se pelo conforto com o tempo, pelo domínio do espaço e pela clareza de identidade. Num mercado saturado de estímulos rápidos, Bruno Mars escolhe a consistência como argumento principal.
Este Test Drive confirma o que já suspeitávamos: Bruno Mars não segue tendências nem reage ao momento. Trabalha-o. E, quando regressa, fá-lo para reafirmar território, o seu. Ouvir Podcast