1967 Aretha Franklin
A 10 de Março de 1967, Aretha Franklin editava o primeiro álbum pela Atlantic Records. O disco chamava-se I Never Loved a Man the Way I Love You e marcou um ponto de viragem absoluto na carreira da cantora de Detroit.
Até então, Aretha Franklin tinha passado seis anos na Columbia Records. Gravou standards de jazz, baladas orquestrais e repertório pop pensado para a colocar no circuito adulto sofisticado. Apesar da qualidade vocal evidente, os discos não traduziram o que ela realmente era: uma cantora moldada pela igreja, pelo gospel e pelo piano que tocava com instinto rítmico.
A mudança aconteceu quando o produtor Jerry Wexler a levou para gravar nos estúdios da FAME Studios, em Muscle Shoals, no Alabama. A sessão juntou músicos locais habituados a tocar com intensidade crua e direta. Ali, pela primeira vez em estúdio, Aretha sentou-se ao piano, comandou a banda e cantou como fazia na igreja.
O resultado foi imediato. A faixa-título, “I Never Loved a Man (The Way I Love You)”, tornou-se um sucesso e revelou uma artista diferente: mais livre, mais poderosa, mais próxima das raízes do gospel e do rhythm & blues.
No mesmo álbum estava também Respect, composição originalmente gravada por Otis Redding. Na versão de Aretha, a canção mudou de significado. Com o famoso “R-E-S-P-E-C-T” e os coros liderados pelas irmãs Carolyn e Erma Franklin, transformou-se num manifesto de afirmação feminina e num hino do período dos direitos civis nos Estados Unidos.
“I Never Loved a Man the Way I Love You” não foi apenas um sucesso comercial. Redefiniu o lugar de Aretha Franklin na música popular. A partir desse momento passou a ser reconhecida como a voz maior de soul, estatuto que lhe viria a valer o título que a acompanharia para sempre: Queen of Soul.
Mais do que um novo álbum, a edição de 10 de Março de 1967 revelou finalmente a verdadeira Aretha Franklin. A cantora deixou de ser uma intérprete moldada por produtores e tornou-se uma artista com identidade própria, capaz de unir gospel, soul e emoção crua numa voz que mudaria o curso da música americana.