1972 Stevie Wonder
Foi a 27 de outubro de 1972 que Stevie Wonder lançou Talking Book, o seu 15.º álbum de estúdio. Tinha apenas 22 anos, mas já trazia um percurso impressionante dentro da Motown. Desde criança, fora apresentado como o “Little Stevie”, o miúdo-prodígio que tocava tudo e encantava multidões. Mas no início da década de 70, Stevie queria mais do que êxitos radiofónicos.
Queria espaço, autonomia, tempo para experimentar.
Talking Book nasce desse desejo. Depois de renegociar o contrato com a editora, o músico passou a ter total controlo sobre as gravações, na época, coisa rara. A liberdade deu frutos imediatos. Com a ajuda dos engenheiros e co-produtores Malcolm Cecil e Robert Margouleff, começou a explorar as possibilidades dos sintetizadores Moog e ARP, misturando sons eletrónicos com as texturas orgânicas do funk e do soul. O resultado foi uma sonoridade moderna e inventiva, que influenciaria toda a música negra dos anos seguintes.
O álbum abre com “You Are the Sunshine of My Life”, uma canção de amor simples e calorosa, com a voz de Stevie a chegar só depois dos coros, como se fosse convidado a entrar na sua própria canção. Logo a seguir, “Maybe Your Baby” traz o oposto: um tema denso, cheio de groove e ciúme, com o baixo e o clavinet em constante tensão. Mas é “Superstition” que se torna o centro gravitacional de Talking Book, o riff, criado quase por acaso, é hoje um dos sons mais famosos da história da música.
Outras canções revelam o lado mais íntimo e social de Stevie Wonder: “Big Brother” observa o país com desconfiança e crítica; “Blame It on the Sun” e “Lookin’ for Another Pure Love” mostram um compositor vulnerável, atento ao detalhe emocional; “I Believe (When I Fall in Love It Will Be Forever)” encerra o disco num registo espiritual e esperançoso.