Uma nova investigação arqueológica revela que o guano — excrementos de aves marinhas ricos em nutrientes — foi decisivo para o desenvolvimento de uma poderosa sociedade costeira nos Andes.

O estudo conduzido por arqueólogos da University of Sydney analisou milho antigo encontrado em túmulos no Vale de Chincha na costa do Peru. As análises químicas revelaram níveis muito elevados de nitrogénio, indicando que as culturas eram fertilizadas com guano recolhido em ilhas próximas.
Numa das regiões mais áridas do planeta, onde os solos perdem rapidamente nutrientes, este fertilizante natural permitiu produzir milho em abundância. Esse excedente agrícola sustentou o crescimento económico e comercial do Reino Chincha, que se tornou uma potência regional com cerca de 100 mil habitantes.
Os investigadores encontraram também representações de aves marinhas, peixes e milho em objetos artísticos, sugerindo que estas aves tinham um papel não só agrícola, mas também cultural. A importância do guano terá contribuído ainda para relações estratégicas com o Império Inca, que valorizava o milho mas tinha dificuldade em produzi-lo nas terras altas.