Julie, considerada a última elefanta de circo em Portugal, começou uma nova fase da vida no Alentejo.
Depois de cerca de 40 anos a atuar em circos, foi transferida, no final de junho, para o Pangea Elephant Sanctuary, o primeiro santuário dedicado a elefantes resgatados deste tipo em Portugal.
Julie foi capturada ainda bebé em África, no final dos anos 80, e chegou a Portugal em 1988. Em 2018, uma lei portuguesa determinou o fim dos espetáculos com animais selvagens, com a proibição a entrar em vigor até 2024. O problema era encontrar um local adequado para animais como Julie.
O santuário, com cerca de mil hectares no Alentejo, preparou durante 18 meses a chegada da elefanta. Depois de uma viagem de três horas, Julie começou rapidamente a explorar o novo espaço, incluindo zonas de água e lama.
O objetivo é proporcionar-lhe uma vida tranquila e com melhores condições, num ambiente muito mais próximo das necessidades naturais da espécie. O santuário poderá vir a receber entre 20 e 35 elefantes, embora ainda esteja numa fase inicial.
Julie poderá também ganhar companhia ainda este ano, com a chegada prevista de Kariba, outra elefanta africana, atualmente num jardim zoológico na Bélgica.
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Nos Estados Unidos, alguns estados estão a começar a acabar com os benefícios fiscais atribuídos aos grandes centros de dados, numa altura em que cresce a preocupação com o enorme consumo de eletricidade provocado pela expansão da inteligência artificial.
O Arizona, por exemplo, passou a cobrar imposto sobre as vendas de eletricidade utilizada pelos centros de dados, uma medida que deverá gerar cerca de 38 milhões de dólares por ano. No estado de Washington, deixaram de existir benefícios fiscais para a compra de novo equipamento, enquanto a Pensilvânia aprovou o fim de incentivos que estavam em vigor há cinco anos.
A discussão prende-se com os custos destas enormes instalações, que consomem grandes quantidades de energia e precisam de renovar frequentemente os seus equipamentos.
Em Portugal, a situação é diferente. Não houve, em 2026, uma retirada geral de benefícios fiscais específica para centros de dados. Pelo contrário, o Governo aprovou este ano um Plano Nacional de Centros de Dados, que pretende atrair investimento e transformar Portugal num polo europeu deste setor.
A legislação portuguesa prevê ainda benefícios fiscais ao investimento produtivo que podem abranger atividades informáticas e tecnológicas, mediante determinadas condições.
Ao mesmo tempo, os centros de dados estão sujeitos a regras de eficiência energética e, a partir de determinadas dimensões, têm de comunicar informação sobre o seu consumo e desempenho às autoridades europeias.
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Cientistas descobriram na Nicarágua uma grande diversidade de variedades de abacate que até agora não estava devidamente documentada.
A investigação analisou o ADN de 47 variedades tradicionais, 32 delas provenientes da Nicarágua, e mostrou que muitas estão geneticamente relacionadas com abacates da América do Sul. Acredita-se que estas plantas tenham chegado à América Central há milhares de anos, transportadas pelas populações humanas, e que se tenham cruzado com variedades locais.
A descoberta pode ser importante porque a maioria dos abacates vendidos atualmente pertence à variedade Hass. Como estas plantas são geneticamente muito semelhantes, uma doença ou uma alteração significativa do clima poderia afetar grande parte da produção mundial.
As variedades tradicionais encontradas na América Central apresentam uma diversidade genética muito maior e parecem estar melhor adaptadas a ambientes quentes e húmidos. Algumas também não apresentam sinais de podridão das raízes, uma das principais doenças que afetam os abacateiros comerciais.
No futuro, esta diversidade genética poderá ser utilizada para desenvolver variedades de abacate mais resistentes a doenças e às alterações climáticas, ajudando a tornar a produção mais sustentável e segura.
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Uma nova espécie de macaco foi identificada na República Democrática do Congo, mostrando que ainda há muito por descobrir na biodiversidade da região.
O animal, chamado Colobus congoensis e conhecido localmente como “Likweli”, vive no remoto Parque Nacional de Lomami. Tem pelo preto, grandes orelhas, longos pelos no rosto e uma característica curiosa: lábios cor de laranja.
A espécie só foi observada pela primeira vez em 2008, através de uma fotografia pouco nítida. Dez anos depois, os investigadores conseguiram obter imagens mais claras e iniciaram um estudo detalhado.
Análises genéticas, anatómicas e dos sons produzidos pelo animal confirmaram que se trata de uma linhagem distinta, que se separou do seu parente mais próximo, o macaco-colobo-preto, há cerca de quatro a cinco milhões de anos.
É apenas a quinta nova espécie de colobo identificada em 75 anos de investigação em África. Entre 2018 e 2022, foram registados 114 avistamentos, numa área de cerca de 2.300 quilómetros quadrados.
Os cientistas recomendam que o Colobus congoensis seja classificado como espécie ameaçada. O seu território é reduzido e os investigadores descobriram ainda que o animal é caçado por comunidades locais.
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Um recife de coral que se julgava morto há mais de 60 anos foi reencontrado cheio de vida ao largo da costa da África Ocidental, no Golfo da Guiné.
O possível recife tinha sido identificado em estudos realizados nos anos 60, mas os investigadores da época pensaram que já não estava vivo. Agora, uma equipa do Instituto de Investigação das Pescas e Oceanografia do Benim voltou à zona e utilizou sonar e drones submarinos para explorar o fundo do mar.
Depois de analisar cerca de 11 quilómetros de fundo marinho, os investigadores encontraram formações de coral aparentemente saudáveis. Foram identificados oito tipos de coral e oito espécies de peixes, entre eles pargos, peixes-anjo e peixes-borboleta.
Os cientistas acreditam estar perante um ecossistema de coral mesofótico, que vive a maiores profundidades e com muito menos luz do que os recifes tropicais tradicionais. Em vez de formar uma barreira contínua, estes corais podem surgir em pequenos grupos sobre zonas rochosas.
Ainda não se sabe se os corais estavam realmente mortos nos anos 60 e conseguiram recuperar, ou se permaneceram vivos durante todo este tempo. Também é possível que existam outros recifes desconhecidos nesta região.
Os investigadores querem agora regressar ao local para recolher amostras e estudar a história deste recife, que pode ter feito parte de uma formação muito maior, com cerca de 40 quilómetros de extensão.
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